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Educação Financeira

Educação Financeira

Você já deve estar cansado de falar sobre o tal do Coronavírus, certo? Mas além da preocupação com a saúde tem um outro aspecto desta Pandemia que está dando o que falar nesse momento: a situação financeira dos brasileiros.

Mesmo antes da tão falada quarentena, a realidade financeira de muitos brasileiros já estava muito longe de ser, minimamente suficiente. Em 2019, 105 milhões de pessoas contaram com uma renda mensal de apenas R$438, ou seja, menos de R$15 por dia (IBGE). [1]

Acontece que, agora Saúde e Economia passaram a ser as duas únicas pautas em discussão. E mantendo-se as devidas proporções (e desigualdades), ficou mais difícil para todo mundo! A questão chama a atenção devido a paralisação de vários setores da economia gerando improdutividade de boa parte da população, mas fato é que, ao longo da trajetória de pessoas ou empresas, imprevistos (de maior ou menor grau) invariavelmente acontecerão, e é importante estar preparado para eles. Por impactar toda a sociedade de uma só vez, a Pandemia da Covid-19 expõe uma triste realidade: o brasileiro não sabe lidar com dinheiro.

Um familiar doente, um equipamento quebrado, um acidente doméstico, um problema no carro, perder o emprego… são situações às quais todos estão sujeitos. É claro que não se pode dizer que uma reserva financeira resolverá magicamente todo problema, ou mesmo que poderá promover resoluções perenes, porém a preocupação financeira não deve ser responsável por tirar o foco da busca pela solução, ou seja, ela não deve inviabilizar nossa capacidade de criar alternativas.

Em uma situação como a que vivemos agora, poder contar com uma reserva financeira é o mesmo que “pegar fôlego” para atravessar a pandemia com todos os obstáculos e efeitos colaterais nela envolvidos. Ocorre, porém, que poupar está longe de ser um hábito frequente na cultura brasileira. De acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao credito (SPC Brasil), 52,1% dos brasileiros não mantém a prática de guardar dinheiro. O estudo revela ainda que 27,1% dos que conseguem manter o costume de poupar, guardam o dinheiro em casa, tendo como justificativa (em 51, 7% dos casos) o fato de poder acessá-lo em qualquer momento, o que coloca em dúvida a durabilidade desta reserva[2].

Para Cadu Morais, contador e Sócio da MCD Contábil Assessoria e Consultoria Empresarial, o ideal seria a implementação do ensino da Educação Financeira ainda na fase infantil, uma vez que há uma maior receptividade à aprendizagem. Assim é possível estabelecer desde cedo a consciência da sustentabilidade financeira, criando indivíduos aptos a lidar com o dinheiro de maneira inteligente. Levando-se em conta o papel da escola na formação acadêmica, mas também social do cidadão, interessante seria a adoção de Políticas Públicas que pudessem inserir a Educação Financeira como disciplina no Currículo Escolar, podendo-se contar com cada aluno como um agente multiplicador do conhecimento adquirido. “ Quando abordamos este tema dentro de um Conteúdo Programático , na Grade Curricular, desde o Ensino Fundamental até o Ensino Médio, temos a oportunidade de criar um estado de consciência que vai muito além de poupar e saber quando melhor usar seu dinheiro, mas, também, qualificar a população para discussões de políticas públicas de transferência de renda; para entender o valor do seu trabalho, o esforço necessário para empreender, conhecimento das linhas e formas de créditos disponíveis, de incentivos, o custo do dinheiro no tempo –  o custo  de um empréstimo, um financiamento… – e o fundamental, saber o valor das coisas (produtos e serviços)”, explica Cadu.  

Falar sobre consciência financeira em situações onde a renda familiar nem mesmo comporta  as necessidades básicas pode parecer ilógico, acontece, porém, que sem essa consciência, nem mesmo o aumento da renda seria capaz de mudar a realidade dessas pessoas. Prova disso são aquelas situações em que pessoas com rendas maiores estão mais endividadas do que outras  com rendas menores, mas que conseguem organizar melhor suas finanças.

É claro que, infelizmente, o momento que se vive hoje torna a missão de construir uma reserva financeira extremamente difícil, mas não deixe de usar as dificuldades do momento presente como inspiração e motivação para programar seu novo planejamento financeiro para um futuro próximo. Afinal, acreditar que passar pela Pandemia do Cororonavírus nos deixará imunes a quaisquer outros imprevistos, seria, no mínimo, ingenuidade.

Então, ainda que a cultura da consciência financeira não faça parte dos seus hábitos, não desanime. Nunca é tarde para adquirir hábitos benéficos. Para começar a poupar é preciso ter organização porque antes de mais nada, é necessário conhecer seus gastos para só então estabelecer um planejamento financeiro. Ao colocar no papel a relação de gastos, é possível entender onde se pode economizar.

O planejamento deverá levar em consideração a receita, as despesas e os objetivos a serem alcançados. Aliás, é de extrema importância ter objetivos, estabelecer metas, pois eles ajudarão a sustentar o foco e a motivação para manter-se fiel ao planejamento estabelecido. Se você ainda não está convencido de que vale a pena controlar pequenos gastos com supérfluos ao longo do mês por um objetivo maior, considere a diferença entre o preço total de uma compra a prazo e o preço do mesmo produto à vista. Porque não adiar um pouco a compra e reservar mensalmente aquele valor que seria pago parceladamente a seu cartão de crédito? Em algumas situações, isso poderá lhe poupar algumas centenas de reais. E mais, você já pensou em tudo que poderia fazer se tivessem nas mãos o valor dos juros pagos naquele empréstimo? Manter esses números em mente, certamente te ajudarão a evitar a tentação de compras desnecessárias.


[1] Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2020/05/06/metade-dos-brasileiros-sobrevive-com-menos-de-r-15-por-dia-aponta-ibge.htm?cmpid=copiaecola&cmpid=copiaecola

[2] Disponível em: https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/indice/6785

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